Sindicatos definem calendário de mobilização e podem decidir por greve caso empresa não avance nas negociações
Os trabalhadores dos Correios entram em uma semana decisiva na Campanha Salarial 2026/2027. Segundo calendário aprovado pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Findect), as assembleias que vão discutir a possibilidade de decretar estado de greve começaram nesta semana em bases sindicais de todo o país, com prazo final marcado para o dia 28 de julho, quando a estatal precisa apresentar uma proposta que atenda às expectativas da categoria.
A tensão nas negociações não é nova. Desde o início do ano, sindicatos filiados à Findect vêm cobrando reajuste salarial compatível com a inflação acumulada e reposição de perdas históricas, enquanto a empresa lida com dificuldades financeiras que já motivaram até pedido de socorro ao governo federal. Entenda a seguir como chegou até aqui a atual rodada de negociações e o que pode acontecer se um acordo não for fechado até o fim do mês.
Como está o calendário da Campanha Salarial 2026/2027
O processo negocial deste ano começou de forma conturbada. A primeira reunião entre Correios e sindicatos, inicialmente prevista para o dia 23 de junho, precisou ser remarcada para 25 de junho, depois que a empresa comunicou mudança na data de abertura das tratativas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027. Desde então, as rodadas de negociação vêm se sucedendo, com encontros realizados presencial e remotamente na sede da UniCorreios, em Brasília.
Segundo o calendário nacional de mobilização aprovado pela diretoria da Findect e pelos sindicatos filiados, as rodadas de negociação seguiram entre os dias 30 de junho e 23 de julho. A partir de 22 de julho, cada sindicato de base passou a promover assembleias próprias para deliberar sobre a manutenção ou a intensificação do estado de greve, um instrumento que já havia sido aprovado em encontros anteriores da categoria, como mostram editais de sindicatos estaduais filiados à federação. O ponto de virada está marcado para 28 de julho, data limite para que os Correios apresentem uma proposta considerada satisfatória. Assembleias gerais estão previstas para a noite desse mesmo dia, quando os trabalhadores vão avaliar a oferta final da empresa antes de decidir os próximos passos da mobilização.
O que motiva a insatisfação dos trabalhadores
O pano de fundo da atual campanha salarial envolve tanto questões financeiras quanto o histórico recente de conflitos entre categoria e empresa. Em dezembro de 2025, os Correios já haviam enfrentado uma greve que durou cerca de duas semanas, motivada pela rejeição de uma proposta de reajuste considerada insuficiente pelos trabalhadores. Na ocasião, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) precisou intervir, determinando o fim da paralisação e fixando reajuste de 5,1%, aplicado a partir de agosto do ano passado, com sentença normativa válida até 31 de julho deste ano, data que agora se aproxima e reabre justamente o debate sobre o próximo reajuste.
Além da questão salarial, os sindicatos apontam que a situação financeira da estatal tem sido usada como justificativa para conter avanços nas negociações, enquanto a categoria reforça que os trabalhadores não podem arcar com o custo de decisões de gestão tomadas em outros momentos. Em julho, inclusive, uma rodada de mediação com o Governo Federal já havia motivado a suspensão temporária de um indicativo de greve, em troca do compromisso da empresa de não fechar agências até o fim do mês, período usado justamente para tentar avançar em um acordo definitivo entre as partes.
Quais os próximos passos até o fim do mês
Com o prazo de 28 de julho se aproximando, a expectativa entre os sindicatos filiados à Findect é de que a proposta apresentada pela empresa reflita, de fato, as reivindicações discutidas ao longo dos últimos meses de negociação. Caso isso não aconteça, cada base sindical deverá levar a decisão sobre a deflagração de greve às assembleias marcadas para a noite desse mesmo dia, o que pode resultar em paralisações em diferentes estados a partir do início de agosto.
Vale lembrar que o modelo de negociação da categoria costuma envolver decisões descentralizadas, com cada sindicato estadual convocando suas próprias assembleias, ainda que seguindo a orientação e o calendário nacional definidos pela Findect. Isso significa que a adesão a uma eventual greve pode variar de região para região, dependendo da avaliação de cada base sobre a proposta final apresentada pelos Correios. Nos próximos dias, a expectativa é de que o desfecho das negociações fique mais claro, à medida que as assembleias avancem e a empresa formalize sua contraproposta à categoria.
O desfecho dessa negociação tem impacto direto não só para os cerca de cem mil empregados da estatal, mas também para o funcionamento dos serviços postais em todo o país. Trabalhadores acompanham de perto o andamento das tratativas, já que um novo ciclo de paralisações, caso confirmado, tende a se repetir em um cenário semelhante ao vivido no fim do ano passado. Até lá, sindicatos seguem mobilizados, e a expectativa é que o desfecho da campanha salarial 2026/2027 seja conhecido ainda nesta última semana de julho.
Fontes consultadas:
- https://findect.org.br/findect-define-calendario-de-negociacoes-da-campanha-salarial-2026-2027-e-aprova-indicativo-de-greve-para-29-de-julho/
- https://mais.opovo.com.br/jornal/economia/2026/07/08/correios-suspendem-fechamento-de-agencias-e-trabalhadores-recuam-da-greve.html
- https://www.tst.jus.br/en/-/tst-decide-que-greve-dos-correios-nao-foi-abusiva-e-determina-desconto-de-dias-de-paralisacao
